Divulga fissura

Blog para divulgação de pesquisas científicas sobre fissuras labiopalatinas

O que são fissuras labiopalatinas

 

A pesquisadora Maristela C. Tamborindeguy França, define fissuras labiopalatinas como malformações congênitas caracterizadas pela descontinuidade das estruturas do lábio, palato ou ambos, cujas lesões ocorrem em diferentes posições da face, com extensão variável. Autora do trabalho “Cirurgia de correção de fissura labiopalatina: relação entre protocolo e realidade”, Maristela afirma que as conseqüências da malformação são indefinidas, podendo incluir dificuldades na alimentação, no ganho de peso, problemas na arcada dentária, no crescimento e desenvolvimento harmônico da face, além da fala e na adaptação e desempenho social. “A primeira intervenção cirúrgica é responsável pelo bom prognóstico dessas crianças”, destaca ela em seu estudo, ressaltando também a importância do plano de tratamento. “Parte do sucesso do tratamento depende do envolvimento e participação de diversas especialidades, como cirurgia plástica, pediatria, nutrição, odontologia, ortodontia, fonoaudiologia, serviço social, psicologia, enfermagem, entre outros, bem como, intervenção e tratamento precoce”.

A palavra “fissura” significa fenda, ou ruptura, e a malformação ocorre durante a formação do embrião dentro do útero, até a 12ª semana de gestação, no caso das fissuras palatinas, e até a 8ª semana, no caso de fissuras labiais, como descreve a pesquisadora Talita Fernanda Stabile Fernandes, autora do estudo “As repercussões sociais em indivíduos com distúrbios de comunicação associados às fissuras labiopalatinas com e sem perda auditiva”. Baseada na revisão de literatura médica sobre fissuras labiopalatinas realizada para sua pesquisa, ela explica ainda que as fissuras podem sem ser classificadas como:

  • Fissuras isoladas de lábio

Variam desde um pequeno entalhe na vermelhidão do lábio até toda a extensão do palato primário, quando são consideradas completas. Normalmente, o lábio é restaurado através de cirurgia plástica chamada queiloplastia primária, a partir dos três meses de idade da criança.

  • Fissuras de lábio e palato simultâneos

São consideradas pela literatura médica como as de maior ocorrência entre as fissuras. Exigem um protocolo de tratamento mais extenso e longo, com cirurgias primárias (queiloplastia e palatoplastia) e cirurgias secundárias, além de tratamentos complementares com outras especialidades médicas.

  • Fissuras de palato isolado

Podem ser consideradas como malformação confidencial, pois não há comprometimento da estética facial. Têm implicações funcionais, podendo refletir na qualidade nasal da voz (voz fanhosa) e na audição. Podem também ser submucosas, e dependendo da presença ou não de implicações funcionais, são chamadas de sintomáticas ou assintomáticas. A correção cirúrgica (palatoplastia) normalmente é realizada a partir dos 12 meses de idade.

  • Fissuras raras na face

Podem ocorrer em bochechas, pálpebras, orelhas, nariz, ossos do crânio e face. Podem estar associadas a algumas síndromes, e exigem protocolo específico de tratamento.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog Divulga Fissura. É permitida a reprodução desde que citada a fonte, inclusive dos trabalhos originais dos quais as informações científicas foram retiradas.

Para conhecer o estudo completo “Cirurgia de correção da fissura labiopalatina: relação entre protocolo e realidade”, da pesquisadora Maristela C. Tamborindeguy França, acesse o link: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/3045

Para conhecer o estudo completo “As repercussões sociais em indivíduos com distúrbios de comunicação associados às fissuras labiopalatinas com e sem perda auditiva”, da pesquisadora Talita Fernanda Stabile Fernandes, acesse o link: http://www.scielo.br/pdf/acr/v20n1/2317-6431-acr-20-1-0040.pdf

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