Resultado de imagem para breast feeding

O convite para participação na primeira etapa de minha pesquisa sobre fissuras labiopalatinas foi feito no grupo Cleft, do Facebook, e tive um ótimo acolhimento, com muitas mães e pacientes que responderam quase que imediatamente. Faço questão de apresentar aqui esses primeiros resultados, pois considero fundamental retribuir o empenho destas pessoas e mostrar, ao menos em parte, o tipo de pesquisa que desenvolvo em meu doutorado na Faculdade de Saúde Pública da USP. Ainda não estão nos resultados que aqui apresento os depoimentos de mães que fiz contato posteriormente, através da gentil colaboração da Uiara, da rede Profis, e da Ana Poças, do blog Fissurada na Maternidade. Gostaria de explicar que a pesquisa está em andamento, e isso quer dizer que todos os dias recebo novas respostas, que vou somando às anteriores. Chegará uma hora em que a coleta de dados estará finalizada, e então vou apresentar todos os resultados compilados, com gráficos etc. Enquanto isso não acontece, vou mostrando aqui o que eu já tenho, OK?

E agradeço a quem se interessar em participar ou puder indicar outros familiares de crianças nascidas com fissuras labiopalatinas. Meu objetivo é ter pelo menos 50 participantes, e por isso deixo aqui meu e-mail para quem quiser saber como participar: silvanabr2005@yahoo.com.br

Aos participantes desta primeira etapa, foram encaminhadas seis questões abordando quatro tópicos principais: (1) diagnóstico, (2) amamentação, (3) acompanhamento e (4) apoio social. A pesquisa tinha como objetivo verificar os sentimentos associados ao recebimento do diagnóstico e às expectativas quanto à amamentação dos bebês, bem como verificar eventuais orientações recebidas sobre amamentação e os meios de alimentação efetivamente adotados, além das especialidades que acompanham as crianças, a rede de apoio com que essas mães contam, sua participação em redes sociais digitais e o eventual recebimento de auxílios para o tratamento das crianças.

As participantes foram instadas a discorrer livremente em cada questão, com a opção de responder ou não à totalidade delas. Foi solicitado especialmente um breve relato sobre o recebimento do diagnóstico, em busca de informações como o profissional responsável pela notícia, o instrumento utilizado para a confirmação da suspeita e a postura deste profissional diante da reação de cada mãe. Esperava-se, através do incentivo às narrativas livres, que as entrevistadas pudessem resgatar os primeiros momentos de convivência com o diagnóstico de fissura labiopalatina, reconstruindo brevemente suas trajetórias maternas.

Participaram desta primeira etapa da pesquisa seis mães de crianças nascidas com fissuras labiopalatinas, sendo que todas haviam recebido o diagnóstico durante a gravidez, através de ultrassonografia. Uma das mães relatou que o profissional de saúde solicitou um segundo exame após duas semanas da realização do primeiro, para somente então, após a confirmação da presença da fissura, transmitir a notícia a ela. Outra relatou que a profissional de saúde que realizou o exame, ao constatar a presença da fissura labiopalatina, optou por encaminhá-la a um profissional de saúde que fora seu professor, omitindo o motivo da consulta e transmitindo a ele a responsabilidade de dar o diagnóstico. É desta mãe o relato mais dramático sobre o recebimento do diagnóstico, uma vez que o referido profissional de saúde sugeriu a interrupção da gravidez para evitar “sofrimento a ela e ao bebê”. As demais mães, entretanto, relataram que a postura dos profissionais que transmitiram o diagnóstico foi de tranqüilidade, sendo que uma delas relatou que foi acalmada, ainda durante o exame, pelo profissional, uma vez que esta mãe teve uma grave crise de choro. Além do choro e da indignação diante da sugestão de interrupção da gravidez, as mães entrevistadas relataram sentimentos como choque, medo e calma, em função da falta de informações prévias sobre a malformação. Apenas uma mãe relatou ter conhecimentos anteriores ao diagnóstico sobre fissuras labiopalatinas, e a mãe que relatou ter mantido a calma informou que essa calma terminou tão logo ela acessou as primeiras imagens de fissuras labiopalatinas na internet. Três das entrevistadas foram encaminhadas para especialistas em fissuras labiopalatinas ao receberem o diagnóstico.

A internet, se por um lado chegou a assustar as mães entrevistadas, por outro forneceu, conforme o relato das próprias, um importante suporte emocional e de espaço para busca de informações. Três das mães entrevistadas receberam, em algum momento, orientações sobre amamentação do bebê fissurado, o que não impediu que uma delas afirmasse saber, antes do nascimento do bebê, que “não poderia amamentar”. Cabe ressaltar que a presença de fissuras labiopalatinas não impede a amamentação exclusiva no peito, sendo que em alguns casos é necessário a complementação com fórmulas ou o uso de mamadeiras e bicos especiais. Os seis bebês das mães entrevistadas foram alimentados com mamadeiras, sendo um deles com seringa.

 

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